CANTSURFNAKED apresenta:

"Quem faz surf sabe que a experiência das ondas não se limita ao mar, contamina toda a vida quotidiana e leva a que passemos a olhar com outros olhos para as coisas terrestres. Para além do mais, para um surfista, a ideia de um mundo perfeito confunde-se com o prazer de deslizar nas ondas, mas, também, com as coisas que lhe estão associadas: a busca e a espera por ondas, o sal frio na cara, as paredes de água que se abrem à nossa frente."

Pedro Adão e Silva

"STUCK"
RICARDO BRAVO
JOÃO GRAMA
PEDRO BAPTISTA
JOÃO CATARINO
JOÃO REI
CRILLE RASK

"... E é aqui, onde a terra acaba e o mar começa que encontro tudo o que necessito...

em cada regresso a casa após uma surfada matinal ainda com o cheiro da maresia no ar, que os meus olhos vêm a percorrer o recorte do horizonte desta maravilhosa Costa Vicentina que é, acima de tudo, a tela em branco onde posso alongar sem medos as asas à criatividade e onde me sinto finalmente em porto seguro para me reinventar constantemente, criando, pintado, desenhando, como se todos os dias, fossem o meu primeiro dia aqui. "

João Rei

PAULO ARRAIANO
MÁRIO BELÉM
JOÃO BRACOURT
JOÃO VALENTE
TIAGO MACHADO

"Depois de uns anos, a viajar entre orientes e ocidentes, acumulando experiencias unicas na vida, acredito cada vez mais que dentro de cada um de nos existe um ser com um potencial criativo extremamente "perigoso", uma liberdade, livre de preconceitos e de condicionamentos... formas de expressão tal qual a natureza nos mostra, na sua magnifica e eterna biodiversidade... sinto que enquanto nos mantivermos assim, divididos entre o medo e o amor, as coisas continuaram iguais, apenas ganhando mais tensão, ou intensão consoante o caso... talvez um dia sejamos todos livres de puder surfar a onda, de fazer a prancha, de fazer musica com os nossos amigos, dancar e celebrar o viver a vida de uma forma sustentável, ou seja para que os nossos filhos nao tenham de pagar pelas nossas loucuras, embora super criativas e divertidas mas com um preco algo caro."

Tiago Machado

"Não é curioso que seja no momento de morte da onda que nasça o surfista? E quão passageira parece a nossa existência enquanto tal se comparada com a daquilo que nos dá a nascer. São dias confrontados com segundos. O tempo de vida de uma ondulação, desde a sua origem, nos confins do oceano, à sua extinção junto às costas, adquire contornos de eternidade face à brevidade dos instantes em que nos definimos como corredores de vagas, bailarinos do efémero.

As ondas são um tema livre, um monumento vivo em mutação, música para o corpo e alma, com sintonias desiguais para cada ouvinte. Mas o belo também contém a dissonância, a surpresa. Como um golpe de pincel perfeitamente desintegrado da geometria de um quadro, como um súbito solo que quebra a harmonia de uma partitura, uma onda também pode encerrar o desvio do padrão sem deixar de ser estética. Assumindo formas dantescas na hora do seu desaparecimento, como se num último gesto de orgulho tentasse castigar aqueles que no seu momento de expiração encontram o seu instante de nascimento, fazendo desse fim uma inspiração para todos os começos e recomeços de uma vida, do surf e para além do surf.

A morte, neste caso, não é fatal e definitiva. E o nascimento é redentor e permanente. São fins e começos que já se viram antes mas que nunca se repetem. Vivem-se sempre de um modo diferente. Como os paradoxos que, por serem resultado de uma complexa equação de momentos e disposições, temos como os do nosso contentamento.

Se surf não é arte também, então não sei o que será. "

Manuel Castro